Artigo por @jusgoncalvess | Medium.com

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Em junho, fiz uma roda de conversa com antenas do IMAGINE 2030 chamada: “qual reflexão você irá levar desta quarentena? ”. A roda de conversa era online, sem slides e sem pretensão alguma, apenas em ouvir e aprender com o outro¹. Abaixo trago um resumo simplificado da profundeza dessa roda, espero que gostem:


A conversa começou com algumas perguntas questionadoras: “Qual o nosso papel hoje? Precisamos ter ou ser?” O rumo da discussão seguiu a princípio para o consumo sustentável, na consciência em perceber o que estou comprando, como é produzido e qual é o seu descarte.


“Sabe aquela coleção inverno 2020? Pois é, isto não vale para quem está de quarentena. O importante mesmo é comprar um tênis que será útil e não por estar na moda. E só comprar um novo, quando o tênis estiver desgastado o suficiente para ser substituído por outro”. (Antena 2030)


Reforçamos a necessidade de comprar do pequeno produtor, de valorizar as pessoas que estão lutando para sobreviver em tempos de pandemia. Potencializar a criação, a sustentabilidade, o que é produzido de forma manual (Made in Brazil), eliminando explorações das grandes corporações e valorizando o produtor local. Trouxemos exemplos e ações que podemos adaptar no nosso dia-a-dia e já deixo uma indicação (publicidade não paga) da nossa antena @sabrinafreire, que faz um trabalho incrível de valorização do trabalho manual e sustentável na https://www.tropicca.com.br/.


Mas não paramos por aí. Falamos também sobre o SER. A partir do momento em que ficamos enclausuradas em nós mesmas² nesta pandemia, surgiu uma necessidade de nos reinventarmos e buscarmos o tal do novo normal, afinal a inovação não está presente apenas na tecnologia, está dentro de nós. Sendo este novo normal mais humano, mais democrático, mais diverso e globalizado, ressaltamos a importância de dar voz as minorias e principalmente às mulheres, que são capazes de serem protagonistas desta mudança; e na abertura das fronteiras com outros países para expansão de novos horizontes e ideias.


UFA. QUANTA COISA PRECISAMOS SER E FAZER PARA MUDAR TUDO ISSO, NÃO?

ESTAMOS MAIS SOBRECARREGADAS? PRECISAMOS MESMO CRIAR UM NOVO NORMAL OU ESTAMOS SENDO LEVADAS PELO QUE ESTÃO DIZENDO POR AÍ? COMO VOCÊ TEM APROVEITADO A SUA QUARENTENA DE VERDADE?


De repente, houve um silêncio na conversa. Acredito que este foi um momento crucial para a verdadeira consciência do que estávamos dizendo e fazendo³.

Reforçamos que a pandemia trouxe valores do simples e da família, mas ao mesmo tempo uma sobrecarga dos filhos em casa e do acúmulo de trabalho (durante a roda de conversa, tivemos a oportunidade de ver algumas crianças perto da mãe). Uma história dessa pressão me chamou bastante a atenção:


“Eu estava no banheiro e meus filhos ficavam me chamando, até que me mandaram um bilhete embaixo da porta. Tudo é a mãe” (Antena 2030)


E essa sobrecarga vai além da porta para dentro, pois já que temos o privilégio de ficar em casa com conforto, devemos ajudar o pequeno produtor e as minorias:


“Às vezes eu sinto que eu preciso comprar comida de um pequeno produtor se não ele irá falir, mas não precisamos, pois eu usei este tempo da quarentena para cozinhar em casa. Devo manter um padrão de consumo para manter aquele pequeno produtor?”. (Antena 2030)


O novo normal não necessariamente satisfaz internamente. O que é imposto é realmente o que precisamos e desejamos?


Uma das pessoas da roda de conversa havia pego a COVID-19 e disse que foi um “retiro obrigatório”, mas necessário, pois ela nunca havia parado para olhar dentro de si e o que era realmente importante para ela, neste momento ela estava valorizando o silêncio. Eu, achei lindo. Em um momento, em que estamos ouvindo PRECISAMOS FAZER, AGIR, MUDAR, REIVENTAR-NOS, alguém disse que está valorizando o SILÊNCIO.


Certamente, frisamos que diferente de “paralisar”, quando em meio de tantas notícias ruins e mortes, desistirmos de viver, valorizar o silêncio significa ter um momento de consciência, mesmo quando se tem 4 filhos ou quando o emprego te sufoca. É ser consciente do que está acontecendo ao seu redor sem ser influenciado pela família, trabalho, mídia e amigos: “estou aproveitando o momento presente?”, “estou aprendendo efetivamente fazendo este curso?”, “estou me cobrando mais do que deveria?”, “estou me embelezando para mim ou para os outros?”. Sergio Cortella uma vez disse que sinônimo de felicidade é quando você não quer sair daquele momento, pois, eu lhe pergunto: “Qual momento você genuinamente não quer sair? ”


E no meio de tantas perguntas, inquietudes e mudanças, não saímos dessa conversa com nenhuma resposta, pois talvez, não precisemos levar nenhuma reflexão dessa quarentena.

Com amor,

Juliana.


¹Este artigo é com base na minha percepção e anotações realizadas da roda de conversa. Não houve revisão das demais participantes. ²Havia um total de 8 mulheres na roda de conversa ³Importante frisar, que todas as discussões da conversa são válidas para refletirmos um mundo pós pandemia diferente, mais plural e mais sustentável, porém precisamos tirar o peso da cobrança de que tudo isto se resolverá em apenas alguns meses.

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